Thursday, January 20, 2005
Sunday, December 19, 2004
Missão II
Saturday, December 18, 2004
Decapítulo IV
Olho-te e mesmo vendo retalhos do que foste, sei que este mundo não era digno de ti.
Friday, December 17, 2004
Missão I
A noite está fria, tenho o nariz gelado mas isso não me impede de farejar. Passo por entre as pessoas como se não existisse, como se no meu corpo não houvesse matéria, como se me desintegrasse e me misturasse com o ar, por breves momentos, e sumisse perdido na atmosfera. Consigo sentir o cheiro do sangue que lhes corre nas veias, o cheiro do medo que lhes sai pelos olhos e por todos os poros mesmo quando tentam, desesperadamente, disfarçá-lo. Hoje vou encontrá-la, estou certo disso, ela precisa de mim só que ainda não o sabe. Encontro uma esplanada repleta de gente e é aí que decido sentar-me, sozinho. As pessoas olham-me como se tivesse uma doença, como se estar sozinho fosse uma doença. Julgo que o é, até certo ponto, pelo menos para muitas pessoas. O mundo tem o culto do rebanho, da manada, do cardume, da caça em grupo! Gostamos de ver os animais nas selvas, de longe, porque eles são eles e nós somos humanos cheios de inteligência e racionalismo a subir-nos pelo cu acima! Bahhh! Somos animais, ainda que com o Q.I. inferior, e pronto.
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Thursday, December 09, 2004
Missão
Já em casa afio as facas, avizinham-se tempos de loucura, tempos conturbados. Aguardo sentado no sofá acumulando ódio que nasce dentro de mim e eu nem sei de onde vem...porque não é meu. Mas eu sinto-o crescer, crescer, enche-me os olhos até ficarem completamente negros. Olho-me no espelho e já não me vejo. Visto a roupa negra que se confunde com a noite. Guardo religiosamente cada uma das lâminas sagradas e olho a rua pouco iluminada pela janela. Vejo presas e presas que passam alheias ao que está para vir, como gazelas desprotegidas numa qualquer savana africana. Esta noite vou sair.
Monday, December 06, 2004
Decapítulo 13 III
Apenas...
Rasgava o peito com uma navalha, abria a caixa toráxica e metia-te cá dentro. Pegava numa navalha e estraçalhava o peito, enfiava-te cá dentro e depois fechava-o com pontos, qual autópsia introspectiva.
Viverias em mim até à minha morte. E mesmo depois da morte apodrecerias cá dentro rodeado pelas Trevas do sepulcro e pelas infernais chamas do crematório, onde arderias dentro de mim na morte, como ardeste durante a vida.

